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| José Lubaki |
Na vida de cada membro da comunidade de fieis há momentos particularmente importantes e decisivos para entender o chamamento de Deus e abraçar a missão atribuída por Ele. Ninguém deve esquecer que o Senhor enquanto Mestre dos trabalhadores na vinha, chama a todas as horas da vida, de modo a dar a conhecer mais precisa e explicitamente a sua vontade sagrada. Por conseguinte a atitude fundamental e contínua do discípulo deve ser de vigilância e atenção conscienciosa a voz de Deus.
Partindo da passagem do profeta Isaías 6, 8-9, este relato da vocação é para mim um ponto de partida e da chegada naquilo que eu quero partilhar conosco. Todos chamados, e cada um a sua hora, no seu estado e no seu tudo... mas esse chamado apesar da diferencia do tempo e das condições sempre mexeu e mexe com a pessoa destinada. Pois, o encontro com Jesus, através da Palavra de Deus é sempre um recomeçar, um novo rumo que acontece conosco. Perante, esta realidade, este convite de Deus ao homem, requer a resposta do homem a Deus que chama. "Ai de mim, estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, que habita no meio de um povo de lábios impuros".
O entender o chamamento de Deus, exige desprendimento, é preciso (Mt 19,16) cultivar a própria vocação (2Ped 1,10). Ao exemplo de Abraão, somos chamados e enviados para uma terra e por uma missao (Gn 12,1). A Bíblia fala de uma experiância mística, mediante a qual Deus se revelou a Abraão e Ihe indicou a sua missão. Nisso pode se notar que a grande fé e obediência deste último levam-no a deixar a terra com tudo o que Ihe é mais caro, a terra, a família e a casa do pai e radicar-se num país desconhecido e longíquo, confiado somente na palavra e proteção divinas.
Sem dúvida, esta atitude deve ser por qualquer missionário. A eficácidade da Palavra de Deus não é contigente mas é perene. Essa capacidade de sair e ir ao encontro, despojando, renunciando-se dos seus, vir para Moçambique, foi uma terra desconhecida também por mim; mas como o imperativo evangélico de anunciar a Boa Nova e isso nos empele sempre a ir ao encontro do outrem, das outras realidades, do outro mundo, lá fui e cá estou eu , testemunhando minha fé, na vivência como missionário. Uma coisa, digo-vos que não estou arrependido de nada, estando numa cultura diferente que não é estranha, no meio do 'povo machangana', aonde Deus me quer e quer servir-se de mim como testemunha e instrumento na sua messe. É com muita tranquilidade que estou a tentar a penetrar o coração deste povo changana, que por natureza é aberto, jovial e acolhedor, como se diz terra de boa gente.
Na verdade, quem confia no Senhor é como o monte Sião; nada o pode abalar, está firme para sempre (Sl 124). Como Abraao, posse afirmar que a esperança nao engane (Rom 5,5). Pois, Deus guia os homens de muitas maneiras. Deus não pode conhecer nenhuma coisa ou alguem sem o amor! Tudo o que Ele conhece, Ele ama! E Deus conhece tudo. Na linguagem de São Paulo, nós somos a casa que Deus edificou; se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a controem (Sl 126).
Fiel a minha vocação, e consciente da vocação missionária na qual sou e somos chamados; essa vocação obriga-nos a amar a Deus sobre todas as coisas e portanto a amar a cruz do cumprimento do nosso dever. Desprendemo-nos santamente até mesmo do amor desordenado à nossa própria família, para que esse amor não seja obstáculo ao serviço que Ele exige de nós. Tudo isso requer abnegação e sacrifício para que haja sucesso na nossa missão.
José Lubaki,
desde Chibuto, Moçambique, terra da missão.

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