PARA QUE SEJAS FELIZ SOBRE A TERRA

06/10/2010 21h35 - Atualizado em 06/10/2011 21h35 

Mandamentos da lei de Deus: Êx 20, 1-17

Eu Sou o SENHOR, o teu Deus
Não terás outros deuses além de mim
Não farás para ti nenhum ídolo
Não tomarás em vão o nome do SENHOR, o teu Deus
Lembra-te do dia de sábado para santificá-lo
Honra teu pai e tua mãe
Não matarás
Não adulterarás
Não furtarás
Não darás falso testemunho contra o teu próximo
Não cobiçarás (a mulher do teu próximo)
Não cobiçarás (nada do que pertença a teu próximo)

Segundo Elisabeth Lukas, o sentido último da vida humana poderia consistir no “progresso em direção ao amor”. Entretanto, o “sentido último” pode ser definido ainda  em chave teológica: “Deus”. “No fundo do nosso ser há  um desejo tão insaciável que não pode referir-se a outra coisa senão a Deus” (Frankl). De fato, a vida humana só tem sentido plena em uma  relação com o transcendente. Sem uma referência, implícita ou explicita, a Deus o ser humano perde a sua orientação essencial e se sente desnudado do sentido da vida. (cf. Gn. 3,7).  
Falar de Deus e de demonstrar a sua existência, nos tempos atuais, nem sempre é fácil. Quando se trata então de falar dos mandamentos da lei de Deus fica ainda mais complicado. No entanto, os valores e as leis são meios fundamentais para que o ser humano viva a sua existência com liberdade e responsabilidade e consequentemente com sentido. Neste âmbito, o próprio Viktor E. Frankl recorre a um antigo argumento filosófico, segundo o qual o desejo de uma coisa pressupõe a existência da coisa desejada. A sede é a prova da existência da água, o olho a prova da existência do sol, a “vontade de sentido” a prova da existência do sentido e por fim, o desejo ou a busca pelo transcendente ( Deus), é um sinal plausível da sua existência. 
Por conseguinte, vale a pena uma referência as pesquisas recentes de Reinhard Tausch (professor de psicologia na Universidade de Hamburgo), sobre a relevância de temas como o amor, a fé em Deus e o sentido da vida: “Uma análise de mais de 200 pesquisas, na maioria norte-americanas, leva à conclusão de que pessoas que têm a idéia de um Deus que as ama e ampara, com uma fé interiorizada, e pessoas com uma clara concepção espiritual da vida:
- vêem mais sentido na vida, estão mais satisfeitas com a vida, têm mais esperança e experimentam menos desmoralização:
- estão mais dispostas a ajudar os outros, participam mais de campanhas de ajuda, têm menos preconceitos;
- são psiquicamente mais sadias, dominam melhor as crises, usam menos nicotinas, álcool e drogas:
- têm menos relações sexuais pré e extra-matrimoniais, são mais agradecidas e perdoam mais facilmente;
- tornam-se criminosas com menos freqüência que pessoas sem convicções religiosas”.
 Nesta perspectiva, pode-se dizer que Viktor Frankl construiu uma ponte entre a teologia e a psicologia visto que colocou no coração desta ciência moderna a dimensão espiritual e reafirmou a importância de qualidades e características tais como a liberdade e a responsabilidade, a tendência para os valores e para o transcendente e, sobretudo a consciência, como elementos constitutivos da estrutura ontológica ser humano, as quais lhe possibilitam viver a vida com sentido.
A interpretação logoterapêutica do Decálogo (os dez mandamento bíblicos) pode oferecer-nos uma nova chave de leitura espiritual e humana para colhermos ali os valores e os meios necessários para construirmos nossa existência com sentido e assim encontrarmos a felicidade. Numa época em que muitas pessoas recorrem às ditas religiões esotéricas e a ritos de magia e bruxaria visando a harmonia interior e a proteção contra todos os males, a logoterapia pode constituir em  uma “mais valia” da higiene psíquica e dar orientações para que o ser humano tenha uma vida sadia e feliz, com perspectivas humana e divina.
                                                                                                                  P. Anisberto Bonfim,mbn.
Cf. L. ELISABETH,  Psicologia espiritual. Paulus. São Paulo 2002, 43-59.

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