01/11/2010 21h26 - Atualizado em 01/11/2011 21h26
Deveria ser ao contrário. Mas a nossa falta de acerto é infinita. Nesta causa o «dito» mais autêntico: “Vamos à morte que a vida é certa”. Ironia benfazeja. «Ser-para-a-morte». Importa é viver a Morte. Encará-la sem rodeios, com os olhos por baixo. Sem aperto no coração; segurando lágrimas escondidas... descodificar o não haver morte sem mortificação; isso nos dói imenso. A morte amiga é de facto um “vale de lágrimas”, distante de toda a beatice ingénua e malcriada. Nascemos, enquanto pródigos naturais e prodígios técnicos, na era da morte asséptica. Contudo, só morremos, verdadeiramente, no Amor (para o Amor); assim nos mostrou a Morte «jesuana» de tão plenamente «cristificada». O Corpo de Jesus não se queria abandonar fora do seu Espírito enquanto Messias; foi mal entendido (ainda que amado até ao desconhecido, ao avesso da nossa comunicação). Agora e na hora da nossa Morte…, lábios grávidos de uma prece ousadamente humilde. Uma prece feita de Pó e Luz. Só essa lista branqueadora, sem mais adereços e solenidades. Todos os nomes, já estão inscritos. Não há poupança no morrer.
Deveria ser ao contrário. Mas a nossa falta de acerto é infinita. Nesta causa o «dito» mais autêntico: “Vamos à morte que a vida é certa”. Ironia benfazeja. «Ser-para-a-morte». Importa é viver a Morte. Encará-la sem rodeios, com os olhos por baixo. Sem aperto no coração; segurando lágrimas escondidas... descodificar o não haver morte sem mortificação; isso nos dói imenso. A morte amiga é de facto um “vale de lágrimas”, distante de toda a beatice ingénua e malcriada. Nascemos, enquanto pródigos naturais e prodígios técnicos, na era da morte asséptica. Contudo, só morremos, verdadeiramente, no Amor (para o Amor); assim nos mostrou a Morte «jesuana» de tão plenamente «cristificada». O Corpo de Jesus não se queria abandonar fora do seu Espírito enquanto Messias; foi mal entendido (ainda que amado até ao desconhecido, ao avesso da nossa comunicação). Agora e na hora da nossa Morte…, lábios grávidos de uma prece ousadamente humilde. Uma prece feita de Pó e Luz. Só essa lista branqueadora, sem mais adereços e solenidades. Todos os nomes, já estão inscritos. Não há poupança no morrer.
A «minha» morte (só essa é inscrita para mim...) não será Solidão e Vazio. Absurdo talvez, pela perda de significado no consumismo líquido. Não ficaremos sós, não ficaremos esvaziados. A Sua Ressurreição diante da “morte matada na Cruz”; é o início doutro Tempo e doutro Espaço: o da Comunhão e do Sentido. Como acreditar nisso sem a inteligência dos afectos? A memória vem em nosso auxílio. A morte traz sempre uma história. Sem ponto final. Nós pontuamos muito mal sem a ajuda de Deus. Como só se vive uma vez (ou não será que vivemos muitas vidas atadas na Vida Abundante...?) as nossas histórias de mortais nunca se repetem. Não queria o medo da Morte -tabu esse imortal -, o seu Rosto Frio, não pode ser «dominado», nem no anúncio mais sedutor, do melhor “Modelo - Classe E”, na TV diária... perante a segurança «Absoluta e Total do ABS...», meu «carro» continua “desassossegado”, não sabe do imprevisível. Não sabe para onde ir, sem uma Rota Lúcida!? A morte não se engana. «Morte certa, hora incerta». Nada místico. Ele é o nosso «Caminho»; porque revela a Verdade consentida na encarnação da «Nossa-Já-Morte-Vivida». Funeral sem missa? Melhor ainda: nenhuma missa com rito fúnebre é possível, depois das primícias da Sua/Nossa Ressurreição! Não a morte à «deriva»; sim à «mão amiga»! Cuidar e ser cuidado. «Ganhamos» um Sorriso de Esperança! Lágrima indolor. Instante eterno, agora e para sempre.
Por: Pedro José
FONTES: LOPES, Maria João, “A vida numa funerária” in Público P2, 01-11-11, pp. 4-6; MAGALHÃES, Vasco Pinto, S.J., O Olhar e o Ver, Ed. Tenacitas, Coimbra, 42007, pp. 395-411; MÓNICA, Maria Filomena, A Morte, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2011.

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